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Samba

Alguns filmes, pelo seu nome, parecem tão despretensiosos, leves... Esse é o caso do filme "Samba", estrelado por Omar Sy ("Intocáveis"), no papel de Samba, e Charlotte Gainsbourg ("Ninfomaníaca"), no papel de Alice. Separados por seus status de cidadão e de imigrante ilegal, ambos descobrem que têm em comum algo que os aproxima e que torna o fardo de cada um menos pesado.



Samba Cissé é um imigrante ilegal que vive em Paris com um tio. Samba tem que trabalhar em diferentes empregos para ajudar sua família que vive no estrangeiro. Sua mãe não faz ideia das coisas por que ele passa na França.

Como ilegal, ele sequer tem direito a ter seu próprio nome. Alguns imigrante sequer tem direito à sua própria nacionalidade, como é o caso de Wilson, que se torna amigo de Samba. Apesar de toda essa tensão, Samba vive suas aventuras, inclusive amorosas, às vezes catastróficas...

Leia também sobre o filme Relatos Selvagens

Já Alice, mesmo sem precisar mudar de nome diariamente para conseguir empregos que são invisíveis à maioria dos franceses, acaba se anulando na rotina estafante de seu trabalho e entra em colapso. Trabalhar numa ONG de ajuda a imigrantes é o que lhe restabelece a sanidade. Ao conhecer Samba, ela vai se abrindo novamente e tentando superar as tensões que lhe levaram àquela situação de esgotamento (burnout).

O humor dos personagens muitas vezes serve para aliviar as questões sérias pelas quais passam. Alice acaba rindo de sua tristezas quando resgata Samba de uma das enrascadas nas quais ele se meteu. Já ele se metamorfoseia em várias pessoas para ir levando a vida.

Alice volta aos trilhos, mas já não é mais a mesma. Samba que sempre teve que fugir da polícia para se manter trabalhando, acaba se escondendo dela num lugar inimaginável...

Em linhas gerais, é um bom filme, tem humor leve, boas atuações. Omar Sy se destaca como o fez em "Intocáveis". Uma reflexão que o filme nos impõe entre risos e tristezas é a questão do imigrante na França, que muitas vezes se agrupam às dezenas, sendo escolhidos aos pares para trabalhos temporários ou subempregos. Sua nacionalidade diz no que são bons. Como brasileiro seria bom em várias das áreas, há até aqueles que aprendem português para se passarem por brasileiros. (Não deixa de lembrar a forma como os haitianos eram recrutados no Sul do Brasil, "quem tem a canela assim, trabalha bem", "quem tem a canela assado, é preguiçoso"...). As agências parecem se acostumar com o problema, reconhecendo os rostos, mas sem saber o nome da pessoa com quem lidam enquanto preenchem as vagas que lhes foram encarregadas pelos empregadores.

A invisibilidade social e o drama de estar só em um país estrangeiro, seja com um amor que vem de outro país, seja com um que se constrói ao longo da trama, valem assistir ao filme.

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