Saramago é daqueles escritores que começamos a ler e vamos até o fim ou paramos logo na primeira página. Confesso que, apesar de certos livros dele me causarem um pouco de pessimismo, alguns me deixam claramente extasiado com a capacidade humana de viver histórias e as contar com grandiosidade. Como me disse um amigo uma vez: "todas as histórias são muito interessantes, mas a forma como as contamos é definitiva". Saramago faz isso quando conta da morte de Ricardo Reis.
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| Capa do livro originalmente publicado em 1984 |
Veja também: Caim, outro livro de Saramago
Fernando Pessoa está morto. Ricardo Reis sente que é hora de voltar do Rio de Janeiro para Lisboa para assistir ao funeral de si mesmo, mas também de outrem que não ele mesmo. Pessoa deu vida a Ricardo Reis, mas não lhe deu uma morte. Saramago busca resolver essa vida que não acaba após a morte do criador. A volta de Ricardo à Portugal ocorre num momento em que o fascismo começa a ascender na península ibérica. Suas aventuras na Lisboa de que se havia exilado por ser monarquista nos traz tanto um retrato de uma época como também o viver de alguém que volta ao seu lar, mas estranha sua própria terra e ainda mais a si mesmo às voltas com um amor inesperado.
Prefiro não dar muitos detalhes da obra. Mas confesso que forma como Ricardo lida com sua volta à Lisboa, as desventuras pelas quais passa e seu encontro com o poeta Fernando Pessoa são memoráveis. Saramago cria um desfecho muito digno e à altura do grande poeta surgido da mente de um dos maiores poetas do século XX.

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